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Teve início neste sábado, no CCSP, a primeira mostra do Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo. Os quatro primeiros nomes que se apresentam em individuais, selecionados por inscrição em edital são: Aline Guarato, Pedro França, Sandra Lapage e Paulo Nimer – o PJota. E é sobre o trabalho transtornado deste último rapaz que vou lhes falar… O fio condutor de PJota na mostra tem nome: Transtorno Obsessivo Compulsivo. “Minha pesquisa gira em torno da relação do desenho e da pintura no espaço público de convívio. Nas relações entre as imagens e objetos que permeiam a História da Arte, meu cotidiano, a Política. Ultimamente, tenho buscado imagens e símbolos que se baseiam no poder. Busco traçar uma narrativa e um diálogo entre estas imagens, explorar o suporte e entendê-lo como espaço de inserção de pesquisa, processo, anotações: quase como um diário ou livro de expedição” – dessa forma, o próprio artista nos define seu trabalho, ainda que autodefinições sejam difíceis… Em 4 telas grandes no CCSP, é possível visualizar um pedacinho do mundo de cognições flutuantes que permeiam o trabalho do PJota. Ali, arquétipos navegam em um mar de tela, memórias estão em fragmentos, colagens e ilustrações se conectam por um cordão umbilical – que liga os pensamentos dele aos nossos – numa representação poética do que nos cerca. Isso está refletido na escolha dos seus materiais, que variam entre lápis, esmalte sintético, caneta, carvão, tinta acrílica, fita crepe e papel vegetal. Suas dimensões, por outro lado, são ao mesmo tempo mínimas e máximas. Suas histórias implícitas vêm em forma de frases contidas nos títulos das obras (como Máquina de Contradições, 2012), ou escritas nos cantinhos da tela em forma de contas matemáticas e palavras despidas de intenção: “Acho que as narrativas e interpreteação da obra dependem do repertório do observador. Mesmo que, sutilmente, essas relações entre os objetos estejam ali – às vezes de maneira mais óbvia e às vezes de maneira menos óbvia – a escrita e os títulos servem de mapeamento para estas narrativas e diálogos. São pistas sobre o que acontece durante o processo e quando estou em frente à tela“. De qualquer forma, demanda silêncio e concentração para fisgar esses pensamentos. Ao exemplo da obra CONTiGUiDADE NÃO iMEDiATA (2011), comissionada pelo 1º Prêmio Ateliê Aberto Videobrasil, PJota realizou um tríptico sobre a cidade, quando relacionada à História da Arte. Pensa-se a tela como espaço de inserção contínua e de registro do processo criativo do artista. Um diálogo com manifestações que desvinculam desenho e pintura dos paradigmas da arte – uso dos pixos e escritas em banheiros públicos –, PJota convidou amigos para participar da obra e inseriu nela aquilo que o próprio denominou “ruídos”. Isso sempre foi assim, desde que o artista formou-se em Artes Visuais pela Belas Artes, até quando ingressou o time da Choque Cultural há cerca de 4 anos, e também quando participou de grandes mostras como a Transfer (2010) e a individual Walking in the White, na galeria californiana Anno Domini (2009). Hoje, já segue um caminho sem galeria específica, mas munido do tempo e conhecimento necessários para tornar tudo isso ainda mais bonito. Mas o resultado não dá pra ser falado, tem que ser sentido em momento de imersão ali, na frente das obras dele, experimentando o mesmo silêncio que ele usa para nos pintar. Ou então, como diria o Drummond: “Escolhe teu diálogo e tua melhor palavra, ou teu melhor silêncio. Mesmo no silêncio e com o silêncio dialogamos“. A exposição fica em cartaz até 12 de agosto de 2012. . Tweet Tags: Aline Guarato, Anno Domini, CCSP, Centro Cultural São Paulo, choque cultural, Paulo Nimer, Pedro França, PJota, Sandra Lapage, TRANSFER, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Walking in the White
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